Caso clínico é exemplo de avanço dos protocolos da mastologia

Adequar a prática clínica ao compasso dos avanços científicos da medicina é um dos principais desafios para os atuais profissionais da mastologia. Recentemente, uma paciente de 80 anos, cuja identidade será preservada, deu entrada no consultório do mastologista da Perinatal Dr. Aleksandr Miyahira com um câncer reincidente na mama esquerda. Há nove anos, quando a doença se manifestou pela primeira vez, o corpo médico optou por uma abordagem cirúrgica conservadora aliada a 25 sessões de radioterapia, seguida de hormonioterapia, em acordo com os protocolos da época. Hoje, graças aos avanços no campo da biologia do tumor e a ensaios clínicos de peso, é possível afirmar que aquele tratamento foi excessivamente agressivo, revela Miyahira. “Estudos recentes não detectaram ganhos significativos em termos de Sobrevida Global e Sobrevida Livre de Doença com a aplicação da RADIOTERAPIA em pacientas com mais de 70 anos e doença biologicamente pouco agressiva”, explica.

Em fevereiro deste ano, pouco antes da OMS decretar a pandemia do novo coronavírus, a paciente apresentou nódulo na mama esquerda, que se confirmou COMO UM novo câncer. Iniciou-se hormonioterapia neoadjuvante, como forma de avaliar resposta e tentar evitar qualquer abordagem em meio à pandemia. Infelizmente, o tratamento não obteve a resposta esperada e a evolução apresentada pelo nódulo superficial quase comprometeu a pele, o que poderia mudar o estadiamento, e assim, piorar o prognóstico. A equipe oncológica enviou a paciente para uma avaliação de abordagem cirúrgica, frente à evolução do câncer. Apesar da idade avançada, das comorbidades e dos antecedentes, ela se encontrava lúcida e optou pela cirurgia, cuja realização foi possível graças ao bom risco cirúrgico. Descartou-se a utilização da radioterapia, por não fazer parte do protocolo atual e porque TAMBÉM a região acometida já havia sido irradiada há nove anos. “Pelo protocolo anterior, não haveria possibilidade de fazer uma nova cirurgia conservadora, pois não poderia irradiar mais, restando apenas a mastectomia de resgate. Optamos por uma operação conservadora para retirar apenas a região acometida da mama. Na axila, clinicamente negativa, repetimos a biópsia do linfonodo sentinela, pela baixa probabilidade de comprometimento axilar e redução significativa do risco de linfedema”, conta Miyahira.

O caso ilustra a rapidez com que protocolos de tratamento oncológico mudam. A paciente foi submetida a terapias de eficácia questionadas pelos atuais ensaios clínicos. Há menos de dez anos, os protocolos determinavam procedimentos que hoje não encontram respaldo nas evidências científicas mais recentes nem embasam as melhores práticas médicas. “Fizemos demais no passado, por não conhecer tão bem como conhecemos hoje o câncer de mama. Por isso, é impossível não se individualizar cada caso e ter nos protocolos uma orientação, mas não uma definição de conduta. Esta deve estar pautada sobretudo no bom senso”, ressalta o médico.

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