Dia do Obstetra: profissional da Perinatal, Dra. Fernanda Mauro, aborda sobre a rotina, alegrias e emoções vivenciadas na profissão

Abril marca a comemoração do Dia do Obstetra. A data celebrada durante todo mês, homenageia esses profissionais que têm o dom de acolher, explicar todas as modificações do corpo que a gestação pode gerar; amenizar os sintomas quando esses são desconfortáveis; pesquisar e tratar doenças importantes, que possam vir a surgir. Eles são o elo entre o feto e a mãe. A Dra. Fernanda Mauro, ginecologista e obstetra da Perinatal/ Rede D’Or relata o privilégio que tem de fazer parte desse time de profissionais capazes de trazer ao mundo, não apenas pessoas, mas sonhos. A profissional conta que percebeu que a rotina ginecológica e a sintonia criada no pré-natal, ia muito além da medicina. A amizade e a relação estabelecida com as pacientes fizeram com que ela sentisse necessidade de experimentar esse mix de sentimentos. “Precisamos ser um pouco amigo, e às vezes nos distanciar. Somos um pouco mãe, um pouco pai. Falamos sério, mas ao mesmo tempo descontraídos. Transformarmos a relação médico-paciente em um casamento. Estamos presentes na alegria e na tristeza”. Ela relata que muitas vezes os dias são trocados por noites, alguns até emendados. “É uma vida pouco compreendida por quem não vive, é pura emoção para os que têm o privilégio de viver. Acho que a obstetrícia me escolheu e me sinto uma privilegiada”.

E é através de uma profissional apaixonada pelo seu ofício que descobre-se que, de fato, o obstetra é a conexão entre mãe e filho, pois é por meio do pré-natal que é possível saber como vai a saúde e o desenvolvimento do bebê. Quando algo não vai bem, muitas vezes, o profissional é o portador das notícias negativas. Isso ocorre, por exemplo, em casos de malformação do feto. “Esse é um momento de criar uma conexão importante com a paciente, e toda notícia ruim é difícil para nós também”. A Dra. Fernanda explica que a maternidade é um momento diferenciado, pois cada caso é um caso. “Vivenciando o diagnóstico de malformação aprendi que temos que conduzir a notícia como uma dança. Não existe uma regra. Pacientes com diagnóstico de malformação fetal fatal (incompatível com a vida) podem absorver aquela notícia e seguirem a gestação  de forma consciente, após nosso esclarecimento, optando por seguir as fases da gestação, pois querem estar nos poucos minutos, dias e meses da vida do filho, e continuarão fazendo o seu melhor como mães. Já em outros casos, até menos graves, há pacientes que ficam apreensivas, em negação. Temos que conduzir as notícias de forma diferente, pois cada mãe possui uma história”, pontua. Para a médica, o importante é balancear a razão e a emoção, sem esconder informações ou trazer falsas esperanças.

No entanto, pequenas conquistas são comemoradas. Procedimentos intrauterinos bem sucedidos trazem à tona a emoção e o envolvimento do especialista diante do caso. “No passado o médico era um profissional distante da paciente, hoje vejo isso de uma forma diferente. Temos que manter nossa postura racional no acompanhamento da mãe e do bebê mas, sem dúvidas, nosso lado emotivo existe e nós também vibramos com essas conquistas”, comemora. O mesmo ocorre no dia do parto. Para os obstetras, trazer um sonho ao mundo é uma realização inexplicável, de acordo com a Dra. Fernanda. “A paciente tem plena convicção que ajudamos e estivemos presentes em um dos momentos mais importantes da vida delas, mas elas não fazem a menor ideia de quão cada uma mudam e impactam as nossas vidas. Eu levo um pedacinho de cada paciente minha, porque apesar de as orientar e ensinar por nove meses, no fim o papel se inverte e aprendemos muito com elas também”.

Durante o pós-parto o profissional ainda está por perto. A Dra. Fernanda Mauro conta que cabe a eles orientar e “vigiar” a parte médica e da saúde da mulher. Além disso, o obstetra auxilia na amamentação, junto ao pediatra e a equipe especializada. Dentre as diversas funções o obstetra também está sempre atento às mudanças de rotina para que não afetem a parte psicológica e emocional da mãe. “Muitas mulheres relatam que o puerpério é mais “doloroso” que o próprio parto”.

No período de pandemia, a médica fala sobre a dificuldade de tranquilizar mães e pais diante da incerteza da situação. A privação de momentos especiais, como: chá revelação, afastamento de familiares, visitas ao berçário são alguns dos conflitos que permeiam as gestantes. “Além de tudo isso, entra o medo da contaminação, da gravidade da doença, se pode passar algo para o bebê. O Covid-19 apenas afirmou a nossa impotência sob a caixinha de surpresa que é a gestação, e aflorou a insegurança do que é gerar uma vida”, explica. No entanto, para a Dra. Fernanda, o ‘vir ao mundo’ trouxe um valor ainda maior no momento em que ela realiza seus partos. “O nascimento é o renascimento de esperança de dias melhores, dias repletos dessa explosão de felicidade”.

Para o futuro, a profissional apaixonada e escolhida pela obstetrícia espera o simples: empatia e gentileza. “Estamos vivendo um momento de muita tensão, medo e cobrança na área da saúde. Lidando com pacientes que aumentaram suas inseguranças, e ao mesmo tempo lidando com nossas próprias questões de estarmos sempre expostos, expondo nossos familiares ao chegarmos em casa”. E pontua: “empatia para entender as mães e gentileza consigo mesmo para que a cobrança não tire sua paz”. 

Dra. Fernanda Mauro, ginecologista e obstetra da Perinatal.
CRM: 52-995185

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