No mês da prematuridade, a Dra. Ângela Azevedo Ferreira, conta sobre seu recente caso de sucesso

Depois de três perdas gestacionais, Mayza Carla Devens, de 33 anos, iniciou um acompanhamento ginecológico para investigar possíveis causas da dificuldade de manter as gestações até o fim. Em sua rotina não haviam alterações e, sendo assim, foi iniciado previamente o uso de ácido fólico. Logo em seguida Mayza engravidou. “Não considerei a gravidez como de alto risco inicialmente, mas combinamos monitorar com mais atenção qualquer intercorrência, principalmente pela atividade profissional e física que ela exercia, com necessidades de viagens e deslocamentos constantes, com alto nível de estresse”, explica a Dra. Ângela Azevedo Ferreira, obstetra da paciente. A médica conta que com 10 semanas de gestação, foi indicado o uso de metildopa, por aumento de níveis tensionais. Nesse mesmo período toda rotina para DHEG foi refeita, sem alterações laboratoriais. 

De acordo com a Dra. Ângela, entre a 20ª e 21ª semana, a paciente começou a apresentar edema em MMII. “Refizemos toda a rotina laboratorial, e de imagens, para melhor avaliação e monitoramento materno fetal”, conta. No entanto, mesmo com as medicações, os níveis tensionais tiveram um aumento. A partir desse diagnóstico surgiu a decisão de internar Mayza – para o controle diário do bem-estar fetal, com ultrassonografias e Dopplerfluxometria, além do acompanhamento materno dos níveis tensionais e alterações laboratoriais que sinalizassem agravamento da paciente. Diante do quadro, Dra. Ângela informou a pediatra de sua equipe, Dra. Flávia Bordallo, sobre o caso. Era dia 19 de fevereiro de 2020, e estavam todos cientes da internação e dos últimos acontecimentos.

A princípio a paciente foi internada na Unidade de Alta Vigilância Obstétrica (Semi-Intensiva) e realizou todos os protocolos para DHEG. Porém, o quadro evoluiu para pré-eclâmpsia, o que culminou na transferência de Mayza para UTI Materno-Fetal. A partir desse momento, Dra. Ângela explica que foi iniciado o uso de sulfato de magnésio para neuroproteção do feto, além da antibioticoterapia. Com todos os procedimentos sendo realizados, o quadro de Mayza evoluiu para Síndrome Hellp, com o difícil controle dos níveis tensionais, e agravamento do seu estado de saúde. Segundo Dra. Ângela Azevedo Ferreira, a decisão de interromper a gestação, de 23 semanas, foi tomada entre todas as equipes envolvidas no caso clínico. O alto risco materno era preocupante.

Com todo Centro Cirúrgico mobilizado, Tomás nasceu dia 28 de fevereiro de 2020 – pesando apenas 550 gramas, medindo 29 cm e com Apgar 6/8, surpreendendo os envolvidos. “Retirei Tomás do útero, pedindo desculpas por não o deixar crescer e se desenvolver como deveria ser, mas a mamãe não estava bem. Prometi que iríamos fazer o impossível e tudo o que estivesse ao nosso alcance para protegê-lo e cuidar dele. E assim foi feito”, conta Dra. Ângela orgulhosa. Para a médica a força e superação de Mayza, em meio a uma pandemia, foram provas de que Tomás escolheu sua mãe a dedo. A profissional se emociona ao falar do caso e saber que depois de sete meses de internação sua paciente e seu bebê estão em casa. Dra. “Basta acreditar! Essa história me faz agradecer diariamente a escolha da medicina e, principalmente, da obstetrícia”, pontua.

*Agradecimentos à Dra. Flávia Bordallo, Dr. Fernando Martins e Dr. Paulo Nassar. Gratidão à minha equipe: Dr. Daniel Bittencourt (anestesista), Dr. Ana Paula Martins (auxiliar) e Valerinha (instrumentadora). E, principalmente, meu agradecimento especial ao querido casal: Denis e Mayza.

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